Misturar e agitar não é a mesma coisa. No Dicionário Michaelis, misturar é: “unir substâncias ou elementos de naturezas diferentes de modo que geralmente não possam ser separados”, enquanto agitar é: “mover de um lado para outro; chacoalhar; incitar à revolta…” Em uma planta industrial, as diferenças também existem e é importante entender quais são e, a partir de informações precisas, definir quais equipamentos fazem sentido e como integrá-los ao processo de produção industrial. Se alguém tentar “vender” misturadores e agitadores como a mesma coisa, fuja. É cilada!

Na indústria, misturar raramente é só juntar ingredientes. É entregar repetibilidade, ou seja, mesma viscosidade, mesma textura, mesma estabilidade, lote após lote.

Uma forma direta de separar os conceitos é esta: agitação é o meio; mistura é o resultado. Em engenharia de processos, misturar envolve mover fluidos e/ou sólidos para melhorar um resultado de processo — e isso é obtido por uma fonte de agitação (impelidor, pás, rosca, etc.).

Na prática: você pode “mexer” um tanque e ainda assim ter zona morta, grumos, incorporação de ar ou variação de concentração. Vamos entender a diferença “na linguagem do chão de fábrica” e, principalmente, como escolher misturadores (e sistemas de agitação) com critério — conectando desempenho, limpabilidade, segurança e documentação.

O QUE SÃO MISTURADORES INDUSTRIAIS E COMO FUNCIONAM
Misturadores industriais são equipamentos (ou conjuntos) desenhados para alcançar um objetivo específico de processo, como:

-Homogeneização de líquidos miscíveis (concentração uniforme)
-Dispersão de sólidos em líquidos (pós, pigmentos, ingredientes farmacêuticos ativos (APIs), cargas)
-Emulsificação (óleo/água e variações)
-Suspensão de sólidos (evitar sedimentação)
-Dissolução (reduzir grumos e acelerar solubilização)
-Mistura de pós (sólido-sólido), quando o processo pede uniformidade granulométrica e de composição.

Do ponto de vista técnico, a literatura diferencia bem os termos: mistura é o processo de distribuir fases inicialmente separadas “através” uma da outra; agitação é o movimento induzido do material em uma direção/forma definida.

Na prática, o desempenho depende de duas escolhas:

1- O resultado desejado (mistura): homogeneizar, dispersar, emulsificar, suspender, dissolver.

2- O mecanismo de geração de fluxo e cisalhamento (agitação): tipo de impelidor, regime de rotação, geometria do vaso, presença de chicanas (baffles), posição do eixo, etc.

É por isso que uma solução bem dimensionada raramente é “o motor + hélice”. Ela é um sistema: vaso + geometria interna + elemento de mistura/agitação + vedação + instrumentação + estratégia de limpeza (quando aplicável).

COMO GARANTIR MISTURA HOMOGÊNEA NOS PROCESSOS INDUSTRIAIS
“Mistura homogênea” é critério técnico. E normalmente depende de quatro pilares: padrão de fluxo, nível de cisalhamento, geometria do conjunto e tempo de mistura. Vamos entender cada um deles.

1) Padrão de fluxo: axial, radial e tangencial (por que isso muda tudo)

Impelidores podem gerar correntes axiais (paralelas ao eixo) ou radiais (perpendiculares ao eixo), e isso altera a circulação no tanque — afetando homogeneização, suspensão e dispersão.

Regra prática:

Fluxo axial favorece circulação “topo–fundo”, ajudando a reduzir gradientes e zonas mal misturadas.

Fluxo radial aumenta a energia local e costuma ser útil quando o processo pede mais “trabalho” na dispersão/emulsão.

Fluxo tangencial sem controle pode virar “tanque girando”, com mistura efetiva baixa.

2) Nível de cisalhamento: o quanto você “trabalha” o produto (sem degradar)

Cisalhamento é, na prática, a intensidade com que o sistema rompe aglomerados, dispersa fases e acelera a homogeneização. Ele é desejável em muitos processos — mas excesso pode ser tão ruim quanto falta.

Quando falta cisalhamento: grumos, dispersão lenta, fase separando, tempo de mistura alto.

Quando sobra cisalhamento: incorporação de ar/espuma, aquecimento indesejado, degradação de estrutura (ex.: polímeros, emulsões sensíveis), alteração de textura.

O que define o cisalhamento? Tipo de impelidor, rotação, diâmetro, folgas, viscosidade/reologia e o objetivo (homogeneizar x dispersar x emulsificar).

3) Geometria do conjunto: tanque, chicanas e posicionamento (o “chão” onde a mistura acontece)

Aqui entram chicanas (baffles), dimensões do tanque, relação altura/diâmetro, posição do impelidor e detalhes que evitam zonas mortas e vórtice.

Sem chicanas — ou sem uma estratégia equivalente de montagem — é comum surgir vórtice e rotação solidária do fluido, reduzindo a mistura efetiva. Em outras palavras: o sistema “mexe”, mas circula pouco onde importa.

4) Tempo de mistura (mixing time): a métrica que conecta engenharia ao tempo de ciclo

Tempo de mistura é o tempo necessário para atingir um grau definido de homogeneidade (por exemplo, via traçador) em um vaso agitado. Na gestão industrial, isso se traduz diretamente em tempo de ciclo: se o tempo “estoura”, o gargalo aparece; se varia demais, surge retrabalho e perda de previsibilidade.

Vale citar também o CFD (Dinâmica dos Fluidos Computacional) e previsibilidade (quando vale usar). Quando o processo é crítico (reologia complexa, exigência sanitária, tolerância baixa a variações), simular ajuda a antecipar zonas mortas, circulação insuficiente e regimes inadequados — reduzindo tentativa e erro antes da fabricação.

Modelos de misturador e agitador fabricados pela Kroma

QUANDO UTILIZAR MISTURADORES INDUSTRIAIS NOS PROCESSOS PRODUTIVOS?
O uso de misturadores é geralmente crítico quando a mistura é parte crítica do valor do produto — e quando “variação” vira custo.

Confira casos típicos em que misturadores bem especificados mudam o jogo:

Cosméticos e HPPC: uniformidade de textura/viscosidade, redução de ar incorporado, repetibilidade.

Farmacêutico/biotech: controle de homogeneidade, contaminação cruzada/biocarga (quando aplicável) e limpabilidade; processos com validação e documentação.

Alimentos e bebidas: estabilidade, padronização sensorial e segurança de processo.

Químico e especialidades: dispersões, suspensões, reações e controle térmico.

Defensivos/agroquímicos (ex.): estabilidade e desempenho dependem de dispersão e homogeneização controladas (em muitas formulações).

FATORES QUE INFLUENCIAM A ESCOLHA DE MISTURADORES INDUSTRIAIS
Imagine uma fábrica de cosméticos que tem um creme com viscosidade variável (por lote e por estação). Com um conjunto “padrão”, a produção alternava entre dois problemas: tempo de mistura alto (quando a viscosidade subia) e incorporação de ar (quando tentavam compensar com rotação). A correção veio com engenharia: revisão do impelidor e geometria interna, inclusão/adequação de chicanas e ajustes de pontos de adição — buscando um padrão de fluxo consistente e um tempo de mistura previsível.

A partir do hipotético caso acima, fica a pergunta:  Já parou para pensar o que precisa ser definido antes de pedir cotação? Sem isso, a escolha vira tentativa e erro, com resultados que podem gerar prejuízo (retrabalho, perda de produto, gargalo de produção e risco de não conformidade).

Confira um checklist sobre o que é preciso definir antes de pedir cotação

1- Produto e reologia: viscosidade em operação, comportamento não-newtoniano, variação com temperatura.

2- Objetivo de mistura: homogeneizar, dispersar, emulsificar, suspender, dissolver.

3- Regime: batelada ou contínuo; volume útil e faixa de operação.

4- Sólidos: Porcentagem de sólidos, granulometria, tendência a aglomerar/sedimentar.

5- Sensibilidade a cisalhamento: o produto “quebra” com shear alto?

6- Risco de incorporação de ar/espuma: restrições de vórtice, estratégias de adição.

7- Condições de processo: temperatura, pressão, vácuo, atmosfera inerte.

8- Limpeza e sanitização: necessidade de CIP/SIP, tempo de limpeza no ciclo, validação (se aplicável).

9- Material e acabamento: família do inox, compatibilidade química, rugosidade/limpabilidade.

10- Vedação: selo mecânico, arranjos especiais ou agitador magnético quando o processo pede hermeticidade.

11- Controle e automação: inversor (VFD), instrumentação, integração com receita/batelada, rastreabilidade.

12- Documentação e auditoria: FAT/SAT, evidências de fabricação/testes e dossiê técnico (quando exigido).

Na Kroma, sabemos que a necessidade do cliente, ou seja, o produto, dita as regras e a engenharia do equipamento precisa acompanhar. A nossa entrega é consultiva “de ponta a ponta” garante que todas as demandas sejam atendidas. Nosso portfólio conta com misturadores de pós (V, duplo cone e rápidos), agitadores com diversos modelos de impelidores e uso de CFD para simular desempenho, e agitadores magnéticos, com sistema hermético e projeto para facilitar desmontagem, além de reatores e outros sistemas de processo”, explica Cleber Gonçalves, Diretor industrial/Financeiro da Kroma.