Em processos industriais estéreis, como os conduzidos nas indústrias farmacêutica e biotecnológica, algumas barreiras não podem falhar. O filtro esterilizante é uma delas.

Ele não é apenas mais um componente instalado na linha. Em muitos processos farmacêuticos e biotecnológicos, é a última barreira técnica entre um produto dentro da especificação e um desvio capaz de comprometer lote, auditoria, cronograma e confiança. Por isso, quando o assunto é filtração esterilizante, não basta que o sistema tenha sido bem projetado. É preciso demonstrar, com dados, que a barreira crítica permaneceu íntegra exatamente no momento em que ela deveria proteger o produto.

Essa é a lógica por trás do PUPSIT.

A sigla vem de Pre-Use Post-Sterilization Integrity Testing, ou teste de integridade pós-esterilização e pré-uso. Na prática, significa verificar a integridade do conjunto filtrante depois da esterilização e antes da filtração do produto. O objetivo é identificar possíveis danos, perda de integridade ou falhas que possam ter ocorrido durante montagem, preparação, esterilização, transporte interno, conexão ou condicionamento do sistema.

Em ambientes estéreis, essa diferença entre confiar e comprovar é decisiva.

A fabricação de produtos estéreis exige controles específicos para minimizar riscos de contaminação microbiana, particulada e por endotoxinas/pirogênios. O EU GMP Annex 1, referência europeia de Boas Práticas de Fabricação para produtos estéreis, reforça que instalações, equipamentos, processos e sistemas de monitoramento devem ser projetados, qualificados, validados, monitorados e revisados por equipes com conhecimento adequado de processo, engenharia e microbiologia. Também estabelece a necessidade de uma Estratégia de Controle de Contaminação, conhecida pela sigla CCS, do inglês Contamination Control Strategy, capaz de integrar controles técnicos, operacionais e organizacionais.

Na rotina industrial, significa que cada etapa crítica precisa ser pensada como parte de um conjunto. A filtração esterilizante não se sustenta apenas pela escolha de um bom filtro. Ela depende do desenho do sistema, da compatibilidade com o produto, dos parâmetros de processo, da montagem correta, da esterilização, dos testes de integridade, da validação e da documentação.

O QUE O PUPSIT COMPROVA DENTRO DO PROCESSO
O PUPSIT tem uma função objetiva, que é verificar se o conjunto filtrante esterilizado está íntegro antes de entrar em contato com o produto que será filtrado.

Essa verificação é relevante porque um filtro pode ser adequado em especificação, mas sofrer algum impacto durante etapas anteriores ao uso. Um erro de montagem, uma conexão inadequada, uma condição de esterilização mal controlada ou uma falha mecânica podem comprometer a integridade do sistema. Sem o teste pré-uso, esse problema poderia ser identificado apenas depois da filtração, quando o lote já passou pela barreira crítica.

O Annex 1 orienta que sistemas de filtração permitam teste de integridade em linha do filtro esterilizante final, preferencialmente em sistema fechado, antes e depois da filtração, conforme necessário. Também destaca que os métodos de teste em linha devem ser selecionados de forma a evitar impacto adverso na qualidade do produto.

Aqui vale uma distinção importante: PUPSIT é o teste pós-esterilização e pré-uso. Já o teste após a filtração é o teste pós-uso de integridade, realizado para verificar se o filtro permaneceu íntegro durante o processo. É importante porque pode detectar vazamentos ou perfurações ocorridos durante a filtração. Além disso, a especificação do teste de integridade deve estar coerente com os dados gerados nos estudos de retenção bacteriana.

Significa que o PUPSIT não substitui o teste pós-uso. Os dois cumprem papéis complementares dentro da estratégia de controle. Um demonstra a condição do filtro antes da exposição ao produto. O outro confirma sua condição após a operação.

PORQUE A FILTRAÇÃO ESTERILIZANTE EXIGE TANTO RIGOR
Muitos produtos farmacêuticos e biotecnológicos não podem ser esterilizados em seu recipiente final. Em situações assim, a filtração esterilizante assume papel central na estratégia de esterilidade. Mas o desempenho do filtro não pode ser tratado como uma variável isolada.

Dados de validação precisam ser aplicáveis ao produto e às condições reais de uso, porque o desempenho do filtro pode variar conforme características da formulação e do processo. Entre os fatores que podem influenciar esse desempenho estão viscosidade, pH, compatibilidade com o material do filtro, pressão, vazão, tempo máximo de uso, temperatura, osmolalidade e efeitos de choque hidráulico.

Isso exige uma combinação de fatores técnicos bem controlados:

  • filtro adequado ao produto e ao processo;
  • parâmetros validados de pressão, vazão, temperatura, tempo e diferencial de pressão;
  • montagem correta e rastreável;
  • esterilização compatível com o conjunto;
  • teste de integridade pós-esterilização/pré-uso;
  • teste de integridade pós-uso;
  • documentação coerente com a operação executada.

Cada um desses pontos precisa ser demonstrável. Em uma auditoria, não basta afirmar que o processo foi seguido. É preciso apresentar evidências. Essa é uma das razões pelas quais a automação do PUPSIT ganha relevância em plantas de alta exigência.

AUTOMATIZAR O PUPSIT É REDUZIR VARIABILIDADE ONDE ELA NÃO DEVERIA EXISTIR
Quando uma etapa crítica depende de muitas intervenções manuais, a variabilidade aumenta. E, em ambientes estéreis, a variabilidade costuma gerar perguntas difíceis: 

– A conexão foi feita da mesma forma em todos os lotes?
– A sequência operacional foi respeitada?
– O tempo de estabilização foi cumprido?
– O parâmetro foi registrado no momento correto?
– Houve intervenção não prevista?
– O alarme foi tratado de forma adequada?

A automação reduz esse espaço para interpretação. Sabe por que?

Em um sistema de filtração com PUPSIT automatizado, a lógica operacional pode controlar sequências, intertravamentos, permissivos, tempos, pressões, alarmes, etapas de condicionamento, integração com instrumentos e geração de registros. Em vez de depender apenas da memória operacional ou de anotações manuais, a planta passa a contar com dados estruturados, associados ao lote, ao equipamento e ao ciclo executado.

Isso não elimina a necessidade de procedimentos, treinamento, qualificação e validação. Pelo contrário, torna esses elementos mais visíveis e mais fáceis de verificar. A automação bem projetada não substitui o conhecimento técnico; ela organiza o processo para que esse conhecimento seja aplicado com mais consistência.

É por isso que, em projetos de alta criticidade, automação precisa nascer junto com a arquitetura do sistema.

AUTOMAÇÃO COMEÇA NO PROJETO

Um PUPSIT automatizado eficiente depende de decisões tomadas muito antes da operação. A arquitetura do skid, o desenho das linhas, a drenabilidade, a seleção de válvulas, os pontos de conexão, a instrumentação, o método de esterilização, a integração com o equipamento de teste e a lógica de registro precisam funcionar como partes de um mesmo sistema. Quando esses elementos não conversam entre si, a automação pode até executar comandos, mas não necessariamente entrega controle de processo.

Essa visão está diretamente ligada à forma como a Kroma desenvolve soluções para ambientes de alta exigência. A empresa fabrica equipamentos especiais em aço inox com engenharia consultiva, projetos sob medida, automação integrada ao processo, rastreabilidade e documentação técnica voltada a ambientes auditáveis. “Automação não começa no painel, mas no equipamento certo para o processo, com engenharia preparada para instrumentação, pontos de medição, manutenção e conformidade”, afirma Fernando dos Santos Barbosa, Diretor Comercial da Kroma.

No caso de sistemas de filtração estéril com PUPSIT automatizado, essa abordagem faz diferença porque a criticidade não está apenas no teste em si. Está no conjunto:

– Como o sistema foi projetado
– Como é esterilizado
– Como o filtro é testado
– Como os parâmetros são controlados
– Como as evidências são registradas

É nesse cenário que a engenharia da Kroma revela seu diferencial. Ao desenvolver sistemas de filtração com PUPSIT totalmente automatizado, transformamos uma etapa crítica em um processo mais robusto, consistente e auditável. A automação reduz a variabilidade de execução, fortalece a padronização operacional e diminui a dependência de intervenções manuais — um ganho relevante em ambientes nos quais repetibilidade e controle documental têm impacto direto sobre a confiabilidade do processo”, reforça Fernando dos Santos Barbosa.

KROMA NA FCE PHARMA 2026
Uma oportunidade para saber mais sobre como a Kroma desenvolve projetos com engenharia de ponta a ponta para a indústria farmacêutica é visitar seu stand na FCE Pharma 2026. O evento acontece de 1 a 3 de junho, no São Paulo Expo, e reúne marcas, profissionais, tecnologias e soluções voltadas a diferentes etapas da cadeia farmacêutica.

Para quem busca mais controle, rastreabilidade e segurança em processos estéreis, a visita ao stand da Kroma (I96, no São Paulo Expo) será uma oportunidade de conversar com especialistas e entender como a automação, o projeto sob medida e a documentação técnica podem fortalecer a confiabilidade da operação.